logo
Ligar WhatsApp Mapa Marcar
Jantes

PCD, ET e furo central: como saber se uma jante serve no seu carro

Atualizado a 28 de julho de 2026 8 min de leitura Equipa Pneu Beato

Encontrou um jogo de jantes em segunda mão a bom preço e o anúncio diz 5x112 ET45 CB57.1. Serve no seu carro? A resposta está inteiramente nessas três medidas — e enganar-se numa delas custa, no melhor dos casos, uma viagem perdida e, no pior, uma roda que não deve andar na estrada.

Jante de liga-leve de cinco furos vista de frente, com o furo central e os furos de fixação bem visíveis
Toda a compatibilidade de uma jante se decide nesta zona: o número e a posição dos furos de fixação, e o diâmetro do furo central.

As três medidas que decidem tudo

Uma jante pode ser bonita, leve e do tamanho certo e mesmo assim não servir. A compatibilidade resume-se a três valores, e cada um falha de maneira diferente:

  • PCD (furação) — se estiver errado, a jante nem sequer encaixa. Falha visível e imediata.
  • ET (offset) — se estiver errado, a jante encaixa mas a roda fica na posição errada. Falha silenciosa, que se paga mais tarde.
  • CB (furo central) — se for demasiado pequeno não entra; se for grande de mais, monta na mesma e vibra. É a falha que mais nos chega à oficina.
PCD, furo central e ET explicados Vista de frente: PCD e furo central CB PCD 5x112 → 5 furos, Ø 112 mm Vista em corte: o que é o ET plano médio face que assenta no cubo ET exterior do carro ET menor → roda mais para fora
O PCD é o diâmetro da circunferência que passa pelo centro dos furos. O ET mede-se do plano médio da jante até à face que assenta no cubo.

PCD: a furação

PCD vem de Pitch Circle Diameter. Escreve-se sempre da mesma forma: número de furos × diâmetro em milímetros da circunferência imaginária que passa pelo centro desses furos. Um 5x112 tem cinco furos numa circunferência de 112 mm.

Aqui não existe tolerância nenhuma. É a regra mais dura de todo o artigo. E é traiçoeira, porque há furações quase idênticas em circulação:

FuraçãoTípica emConfunde-se com
4x100Citadinos e compactos de várias marcas4x108
4x108Alguns modelos franceses e Ford4x100
5x100Grupo VW mais antigo, alguns japoneses5x112
5x112Grande parte do grupo VW e Mercedes5x114,3
5x114,3Muitos japoneses e coreanos5x112
5x120BMW e alguns modelos Opel5x114,3

Repare no par 5x112 e 5x114,3: são 2,3 mm de diferença no diâmetro, ou seja, pouco mais de um milímetro por furo. Numa jante, é possível forçar os parafusos a entrar — e é exactamente isso que torna este erro tão perigoso. Os parafusos ficam a apoiar de lado, o aperto nunca é uniforme, e a fixação está comprometida desde o primeiro quilómetro.

Se é preciso forçar, está errado

Um jogo de jantes com a furação correta encaixa sem qualquer resistência e os parafusos entram a direito, à mão, nas primeiras voltas. Se precisa de bater, forçar ou "ajudar", pare. Não há montagem segura a partir daí.

Como medir o PCD

Com um número par de furos (4, 6 ou 8) é simples: mede-se de centro a centro entre dois furos diametralmente opostos e está feito.

Com cinco furos não há dois furos opostos, e a medição directa não funciona. Existe um cálculo a partir da distância entre dois furos adjacentes, mas o erro de leitura de um milímetro leva-o a concluir 112 quando é 114,3. Se tem cinco furos e dúvidas, confirme connosco antes de comprar — é grátis e evita uma compra errada.

ET: o offset

ET vem do alemão Einpresstiefe. É a distância, em milímetros, entre o plano médio da jante e a face que assenta no cubo.

  • ET maior — a face de apoio está mais para fora relativamente ao centro, e a roda recolhe para dentro da cava.
  • ET menor — a roda avança para fora, ficando mais "à face" da carroçaria.
  • ET negativo — raro em carros de série, comum em todo-o-terreno e em preparações.

O ET não é uma questão estética, ainda que seja aí que a maior parte das pessoas repara. Ele determina o braço de alavanca com que a roda actua sobre o rolamento e sobre os componentes de direção. Afastar a roda para fora aumenta esse braço e, com ele, o esforço a que ficam sujeitos o rolamento e as rótulas.

O que acontece na prática com um ET errado:

  • Muito baixo (roda para fora) — pneu a roçar no guarda-lamas em compressão ou a esterçar; desgaste prematuro de rolamentos; direção mais pesada e mais sensível às irregularidades.
  • Muito alto (roda para dentro) — jante ou pneu a tocar em componentes da suspensão ou na pinça de travão. Este último é particularmente comum ao descer de medida de jante.

Desvios de poucos milímetros face ao original são geralmente absorvidos sem consequências. Quanto maior o desvio, maior o risco — e vale sempre a pena confirmar a folga à pinça de travão antes de comprar, sobretudo em carros com travões de maior dimensão. Se pensa mudar também de medida de pneu, veja a calculadora de equivalências.

Furo central e anilhas de centragem

O furo central (CB, de Centre Bore) é o furo no meio da jante que encaixa no ressalto do cubo da roda. Nos carros modernos, a montagem é centrada no cubo: é este encaixe que suporta o peso do veículo e garante que a roda gira perfeitamente concêntrica.

Os parafusos servem para apertar, não para centrar. Esta frase resume tudo o que interessa saber sobre o assunto.

As jantes de reposição são normalmente fabricadas com um furo central maior do que o necessário, para servirem em vários modelos. A folga que sobra é preenchida por anilhas de centragem — anéis de plástico ou alumínio, específicos para cada combinação.

A vibração que nenhuma equilibragem resolve

É uma das situações que mais nos aparece: jantes novas montadas sem as anilhas de centragem corretas. A roda fica ligeiramente descentrada no cubo e vibra a partir dos 80 ou 90 km/h. O cliente equilibra uma vez, duas, três — e nada muda, porque o problema nunca foi de massa, foi de centragem. Veja o guia de vibração no volante.

Um furo central demasiado pequeno não tem solução aceitável: a jante não entra, e alargar o furo enfraquece a peça precisamente na zona mais solicitada. Já um furo maior resolve-se sempre, e de forma barata, com a anilha correta.

Vai comprar jantes? Confirme connosco primeiro

Diga-nos a marca e o modelo do carro e as medidas da jante que encontrou. Dizemos-lhe se serve, se precisa de anilhas de centragem e que parafusos vai precisar. É rápido e não custa nada.

Pedir confirmação Ver catálogo de jantes

E a largura da jante?

A largura vem em polegadas e aparece antes do diâmetro: uma jante 7,5Jx17 tem 7,5 polegadas de largura e 17 de diâmetro. O J designa o perfil do rebordo onde o talão do pneu assenta.

Cada largura de jante aceita uma gama de larguras de pneu, e não uma única. Montar um pneu demasiado largo para a jante faz o flanco ficar "balonado" e prejudica a estabilidade em curva; demasiado estreito, estica o flanco e sobrecarrega o talão. Se estiver na dúvida sobre a combinação, veja primeiro como ler a medida do pneu e confirme connosco.

Onde encontrar os valores

  1. Gravados na jante — quase sempre na face interior, junto aos raios ou no aro. Costuma aparecer algo como 7,5Jx17 ET45 5x112.
  2. Manual do veículo — lista as combinações homologadas de jante e pneu, incluindo as opcionais de fábrica.
  3. DUA — para a medida de pneu, que como explicámos noutro artigo tem de estar averbada.
  4. Connosco — temos as tabelas de aplicação e confirmamos em minutos.
Jantes diferentes das de origem e o DUA

Tal como acontece com a medida do pneu, alterações às características homologadas do veículo devem ser averbadas. Se está a considerar um jogo de jantes de medida diferente da de origem, confirme a situação junto do IMT antes de avançar — evita surpresas na IPO.

Os erros que dão problemas a sério

  • Forçar uma furação quase igual. 5x112 num carro 5x114,3 é o exemplo clássico. Os parafusos nunca ficam bem assentes e a fixação está comprometida.
  • Dispensar as anilhas de centragem. "É só um bocadinho de folga" — e é essa folga que faz o carro vibrar aos 90 km/h para sempre.
  • Reutilizar os parafusos antigos. O assento cónico ou esférico do parafuso tem de corresponder ao da jante nova. Parafusos com assento errado apoiam mal e podem soltar-se.
  • Comprimento de parafuso errado. Curtos de mais não agarram rosca suficiente; compridos de mais tocam em componentes atrás do cubo.
  • Apertar sem chave dinamométrica. Cada carro tem um binário definido pelo fabricante. Pouco aperto é perigoso; demasiado danifica a rosca ou empena o disco de travão. E aperte sempre em cruz.
  • Não voltar a apertar depois de rodar. Após montar um jogo novo, é boa prática reconfirmar o aperto ao fim dos primeiros 50 a 100 km.
  • Esquecer a equilibragem. Jante nova é sempre conjunto novo, e todo o conjunto novo precisa de ser equilibrado.

Perguntas frequentes

É a furação, ou PCD. O 5 é o número de furos de fixação e o 112 é o diâmetro, em milímetros, da circunferência imaginária que passa pelo centro desses furos. Tem de coincidir exactamente com o cubo do veículo: uma jante 5x112 não serve num carro 5x114,3, apesar da diferença de apenas 2,3 mm.

ET, do alemão Einpresstiefe, é o offset: a distância em milímetros entre o plano central da jante e a superfície que assenta no cubo. Um ET mais baixo empurra a roda para fora, um ET mais alto puxa-a para dentro. Determina a posição da roda dentro da cava e as cargas a que fica sujeito o rolamento.

É o furo no meio da jante que encaixa no ressalto do cubo da roda. Em montagem centrada no cubo, é ele que suporta o peso do veículo e garante que a roda gira perfeitamente concêntrica. Os parafusos servem para apertar, não para centrar.

Muitas jantes de reposição são fabricadas com furo central maior para servirem em vários modelos. A anilha de centragem preenche essa folga entre o cubo e a jante, garantindo que a roda fica concêntrica. Sem ela, a roda pode ficar descentrada e provocar vibração que nenhuma equilibragem resolve.

Tecnicamente existem, mas não é uma solução que recomendemos para uso corrente em estrada. Um adaptador acrescenta uma interface adicional entre o cubo e a jante, altera o offset resultante e cria um ponto de falha extra num componente onde uma falha tem consequências graves. Além disso, altera características do veículo face ao homologado.

Muitas jantes trazem os valores gravados na face interior. Se não trouxerem, a informação consta do manual do veículo ou de bases de dados de aplicação. Em jantes com número par de furos, o PCD mede-se directamente entre os centros de dois furos opostos; com cinco furos o cálculo é diferente e é mais seguro confirmar numa oficina.

Continue a ler