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Código DOT: como saber a idade do pneu (e quando ela importa)

Atualizado a 28 de julho de 2026 7 min de leitura Equipa Pneu Beato

Um pneu pode ter o piso praticamente intacto e, ainda assim, já não ser seguro. A borracha envelhece sozinha — com ou sem quilómetros. O código DOT, gravado na lateral, diz-lhe exactamente quando aquele pneu foi fabricado. Aprender a lê-lo demora trinta segundos e é das verificações mais úteis que pode fazer ao seu carro.

Grande plano de letras e números em relevo na lateral de um pneu
Toda a identidade do pneu está em relevo na lateral. O código DOT costuma estar numa zona menos visível — muitas vezes apenas na face voltada para dentro.

O que é o código DOT

DOT são as iniciais do Department of Transportation norte-americano, o organismo que criou este sistema de identificação. Hoje é usado universalmente: todo o pneu vendido no mercado europeu traz um código DOT gravado na lateral.

O código completo pode ser longo e identifica a fábrica, o molde e características do pneu. Para quem conduz, o que interessa são os últimos quatro dígitos: os dois primeiros são a semana e os dois últimos o ano de fabrico.

Como se lê o código DOT de um pneu DOT A1B2 C3D 3523 35 = semana 35 finais de agosto 23 = ano 2023 não 1923 Ignore tudo o que vem antes: fábrica e molde O que ler na lateral do pneu
Só os quatro últimos dígitos interessam para saber a idade. Tudo o que vem antes identifica a fábrica e o molde de produção.

Descodificador: calcule a idade do seu pneu

Introduza os quatro dígitos que leu na lateral e dizemos-lhe a data de fabrico, a idade e o que fazer a seguir.

Exemplo: 3523 = semana 35 de 2023.

Onde fica o código (e porque às vezes não o encontra)

Procure na lateral do pneu pelas letras DOT. Os quatro dígitos finais aparecem normalmente dentro de um retângulo de cantos arredondados, um pouco afastados do resto do código.

Se percorreu a lateral toda e não encontrou nada, é provável que esteja a olhar para o lado errado. Muitos pneus só trazem o código completo numa das faces — e nem sempre é a que fica virada para fora. Nesse caso terá de espreitar pela cava da roda, ou pedir a quem lhe fizer a próxima intervenção que confirme com a roda desmontada.

Pneus anteriores a 2000

Antes do ano 2000, o código de data tinha apenas três dígitos (semana + último algarismo da década). Se encontrar um código de três dígitos, está perante um pneu com mais de 25 anos. Num clássico de exposição pode fazer sentido mantê-lo; num carro que anda na estrada, não deve lá estar.

Porque é que a borracha envelhece

Um pneu não é só borracha: é um compósito de borracha, telas têxteis e cintas de aço, coladas entre si. Com o tempo, quatro agentes atacam esse conjunto:

  • Oxigénio e ozono — provocam oxidação lenta que endurece o composto e o torna quebradiço.
  • Raios ultravioleta — degradam a superfície e originam microfissuras, sobretudo nos flancos.
  • Calor — acelera todas as reacções acima. Um carro estacionado ao sol em Lisboa, no verão, envelhece os pneus mais depressa do que um carro numa garagem no norte.
  • Flexão — cada volta da roda deforma a estrutura. É desgaste que se acumula mesmo sem se ver.

O efeito prático é sempre o mesmo: um pneu envelhecido tem menos aderência, sobretudo a frio e em piso molhado, e maior risco de separação interna das camadas — uma falha que costuma surgir sem aviso, a alta velocidade.

Os sinais visíveis a que deve estar atento são microfissuras finas nos flancos ou no fundo dos sulcos (a chamada pele de crocodilo) e uma borracha que, ao toque, parece dura e sem elasticidade.

Aos quantos anos se deve trocar

Não existe em Portugal um prazo de validade legal para pneus de ligeiros. Existe, sim, uma orientação convergente da generalidade dos fabricantes:

Idade desde o fabricoO que fazer
Até 5 anosManutenção normal: pressão, desgaste e inspeção visual.
5 a 6 anosComeçar a inspecionar anualmente por um profissional, mesmo que o piso esteja bom.
6 a 10 anosInspeção anual obrigatória na prática. Avaliar substituição consoante o estado dos flancos e as condições a que o pneu esteve sujeito.
Mais de 10 anosSubstituir, independentemente da profundidade do piso.

Convém acrescentar uma nuance honesta: a idade sozinha não conta a história toda. Um pneu bem armazenado, ao abrigo da luz e a temperatura estável, degrada-se muito mais devagar do que um pneu que passou anos ao sol. Por isso a recomendação combina sempre idade + inspeção, e não apenas um número no calendário.

Não encontra o código DOT nos seus pneus?

Passe pela oficina. Verificamos gratuitamente a idade, a profundidade do piso e o estado dos flancos dos quatro pneus — incluindo o suplente, que quase toda a gente se esquece.

Marcar verificação gratuita Ver kits de pneu suplente

Comprar pneus: que idade é aceitável

Um pneu "novo" não é necessariamente um pneu recém-fabricado. Entre a fábrica e a montagem no seu carro há transporte, distribuição e armazém — e isso leva tempo.

  • Até cerca de um ano é perfeitamente normal e não deve preocupá-lo.
  • Um a dois anos continua a ser comum no mercado, sobretudo em medidas de menor rotação.
  • Acima de dois anos, é legítimo perguntar. Não significa que o pneu esteja mau — significa que deve estar refletido no preço e que vale a pena saber como esteve guardado.

Desconfie sempre de promoções muito agressivas em medidas pouco correntes: é frequentemente stock antigo a ser escoado. Peça o DOT antes de comprar. Na Pneu Beato dizemos-lhe a data de fabrico do pneu que lhe vamos montar, sem ter de perguntar.

Os casos que mais nos aparecem

  • O carro pouco usado. Segundo carro da família, dois mil quilómetros por ano, piso impecável — e pneus de 2014. É o caso clássico em que a idade obriga à troca muito antes do desgaste.
  • O suplente esquecido. Passa a vida na mala, nunca é visto, e é exactamente aquele em que vai confiar de noite na berma da A1. Verifique-lhe a pressão a cada três ou quatro meses e o DOT uma vez por ano.
  • O jogo sazonal na garagem. Quem tem dois jogos tem sempre um a envelhecer parado. Guarde-o ao abrigo da luz e da humidade, e conte-lhe os anos na mesma.
  • Os pneus do carro em segunda mão. Antes de comprar um usado, olhe para os quatro DOT. Além da idade, quatro pneus de datas muito diferentes dizem-lhe algo sobre o histórico de manutenção do carro.
  • Um pneu novo entre três velhos. Depois de um furo não reparável, é tentador trocar só aquele. Mas nem todos os furos exigem substituição — vale sempre a pena avaliar primeiro se dá para reparar.

Perguntas frequentes

Na lateral do pneu, começando pelas letras DOT. O código completo pode ser longo, mas o que interessa para a idade são os últimos quatro dígitos, geralmente dentro de um retângulo com cantos arredondados. Muitos pneus só trazem o código completo num dos lados, por isso, se não o encontrar, verifique a face interior.

Os dois primeiros dígitos são a semana e os dois últimos o ano de fabrico. 3523 significa que o pneu foi fabricado na 35.ª semana de 2023, ou seja, por volta do final de agosto ou início de setembro desse ano.

Não têm uma validade legal em Portugal, mas têm um limite prático. A orientação da generalidade dos fabricantes é inspecionar anualmente por um profissional a partir dos 5 a 6 anos de idade e substituir aos 10 anos no máximo, contados desde a data de fabrico e independentemente da profundidade do piso.

Sim. A borracha degrada-se por exposição a oxigénio, ozono, calor e luz ultravioleta, mesmo sem rolar. Um pneu guardado durante anos perde elasticidade e pode desenvolver microfissuras. As condições de armazenamento influenciam bastante o ritmo, mas não param o processo.

É comum e, dentro de certos limites, aceitável — um pneu passa naturalmente algum tempo em armazém entre a fábrica e a venda. Um a dois anos de diferença é habitual no mercado. Acima disso, deve pelo menos ser refletido no preço, e convém confirmar as condições em que o pneu esteve guardado.

Envelhece, e é o mais esquecido de todos. Passa anos na mala sem ser visto e é precisamente aquele em que vai confiar num momento de emergência, muitas vezes na berma de uma autoestrada. Verifique-lhe a pressão a cada três ou quatro meses e o código DOT pelo menos uma vez por ano.

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