O que é o código DOT
DOT são as iniciais do Department of Transportation norte-americano, o organismo que criou este sistema de identificação. Hoje é usado universalmente: todo o pneu vendido no mercado europeu traz um código DOT gravado na lateral.
O código completo pode ser longo e identifica a fábrica, o molde e características do pneu. Para quem conduz, o que interessa são os últimos quatro dígitos: os dois primeiros são a semana e os dois últimos o ano de fabrico.
Descodificador: calcule a idade do seu pneu
Introduza os quatro dígitos que leu na lateral e dizemos-lhe a data de fabrico, a idade e o que fazer a seguir.
Exemplo: 3523 = semana 35 de 2023.
Onde fica o código (e porque às vezes não o encontra)
Procure na lateral do pneu pelas letras DOT. Os quatro dígitos finais aparecem normalmente dentro de um retângulo de cantos arredondados, um pouco afastados do resto do código.
Se percorreu a lateral toda e não encontrou nada, é provável que esteja a olhar para o lado errado. Muitos pneus só trazem o código completo numa das faces — e nem sempre é a que fica virada para fora. Nesse caso terá de espreitar pela cava da roda, ou pedir a quem lhe fizer a próxima intervenção que confirme com a roda desmontada.
Antes do ano 2000, o código de data tinha apenas três dígitos (semana + último algarismo da década). Se encontrar um código de três dígitos, está perante um pneu com mais de 25 anos. Num clássico de exposição pode fazer sentido mantê-lo; num carro que anda na estrada, não deve lá estar.
Porque é que a borracha envelhece
Um pneu não é só borracha: é um compósito de borracha, telas têxteis e cintas de aço, coladas entre si. Com o tempo, quatro agentes atacam esse conjunto:
- Oxigénio e ozono — provocam oxidação lenta que endurece o composto e o torna quebradiço.
- Raios ultravioleta — degradam a superfície e originam microfissuras, sobretudo nos flancos.
- Calor — acelera todas as reacções acima. Um carro estacionado ao sol em Lisboa, no verão, envelhece os pneus mais depressa do que um carro numa garagem no norte.
- Flexão — cada volta da roda deforma a estrutura. É desgaste que se acumula mesmo sem se ver.
O efeito prático é sempre o mesmo: um pneu envelhecido tem menos aderência, sobretudo a frio e em piso molhado, e maior risco de separação interna das camadas — uma falha que costuma surgir sem aviso, a alta velocidade.
Os sinais visíveis a que deve estar atento são microfissuras finas nos flancos ou no fundo dos sulcos (a chamada pele de crocodilo) e uma borracha que, ao toque, parece dura e sem elasticidade.
Aos quantos anos se deve trocar
Não existe em Portugal um prazo de validade legal para pneus de ligeiros. Existe, sim, uma orientação convergente da generalidade dos fabricantes:
| Idade desde o fabrico | O que fazer |
|---|---|
| Até 5 anos | Manutenção normal: pressão, desgaste e inspeção visual. |
| 5 a 6 anos | Começar a inspecionar anualmente por um profissional, mesmo que o piso esteja bom. |
| 6 a 10 anos | Inspeção anual obrigatória na prática. Avaliar substituição consoante o estado dos flancos e as condições a que o pneu esteve sujeito. |
| Mais de 10 anos | Substituir, independentemente da profundidade do piso. |
Convém acrescentar uma nuance honesta: a idade sozinha não conta a história toda. Um pneu bem armazenado, ao abrigo da luz e a temperatura estável, degrada-se muito mais devagar do que um pneu que passou anos ao sol. Por isso a recomendação combina sempre idade + inspeção, e não apenas um número no calendário.
Não encontra o código DOT nos seus pneus?
Passe pela oficina. Verificamos gratuitamente a idade, a profundidade do piso e o estado dos flancos dos quatro pneus — incluindo o suplente, que quase toda a gente se esquece.
Marcar verificação gratuita Ver kits de pneu suplenteComprar pneus: que idade é aceitável
Um pneu "novo" não é necessariamente um pneu recém-fabricado. Entre a fábrica e a montagem no seu carro há transporte, distribuição e armazém — e isso leva tempo.
- Até cerca de um ano é perfeitamente normal e não deve preocupá-lo.
- Um a dois anos continua a ser comum no mercado, sobretudo em medidas de menor rotação.
- Acima de dois anos, é legítimo perguntar. Não significa que o pneu esteja mau — significa que deve estar refletido no preço e que vale a pena saber como esteve guardado.
Desconfie sempre de promoções muito agressivas em medidas pouco correntes: é frequentemente stock antigo a ser escoado. Peça o DOT antes de comprar. Na Pneu Beato dizemos-lhe a data de fabrico do pneu que lhe vamos montar, sem ter de perguntar.
Os casos que mais nos aparecem
- O carro pouco usado. Segundo carro da família, dois mil quilómetros por ano, piso impecável — e pneus de 2014. É o caso clássico em que a idade obriga à troca muito antes do desgaste.
- O suplente esquecido. Passa a vida na mala, nunca é visto, e é exactamente aquele em que vai confiar de noite na berma da A1. Verifique-lhe a pressão a cada três ou quatro meses e o DOT uma vez por ano.
- O jogo sazonal na garagem. Quem tem dois jogos tem sempre um a envelhecer parado. Guarde-o ao abrigo da luz e da humidade, e conte-lhe os anos na mesma.
- Os pneus do carro em segunda mão. Antes de comprar um usado, olhe para os quatro DOT. Além da idade, quatro pneus de datas muito diferentes dizem-lhe algo sobre o histórico de manutenção do carro.
- Um pneu novo entre três velhos. Depois de um furo não reparável, é tentador trocar só aquele. Mas nem todos os furos exigem substituição — vale sempre a pena avaliar primeiro se dá para reparar.

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