Porque é que os quilómetros não servem
Já ouvimos "duram 40 mil" e já ouvimos "duram 100 mil", e ambas as afirmações podem estar certas — para carros diferentes, conduzidos por pessoas diferentes.
A travagem converte energia cinética em calor, e o desgaste é proporcional a quanta energia se dissipa. Quem circula em Lisboa, no trânsito das Olaias, a travar de cinquenta em cinquenta metros e a descer ladeiras, dissipa uma quantidade de energia incomparavelmente maior do que quem faz a A1 duas vezes por semana em velocidade constante. Some-se o peso do carro, o composto das pastilhas e o estilo de condução, e percebe-se porque é que nenhum número serve.
Por isso, na oficina, ninguém pergunta quilómetros. Mede-se.
Pastilhas: a que espessura se trocam
O que se mede é o material de atrito — a parte que efetivamente se gasta — e não a pastilha inteira. A chapa de aço que lhe serve de suporte não conta para nada nesta medição.
Os três números que interessam guardar:
- Acima de 4 mm — está bem. Continue a vigiar nas revisões.
- Entre 4 e 3 mm — comece a planear. Já não vale a pena adiar seis meses.
- 3 mm — é a referência de substituição mais aceite. Abaixo de 2 mm não se deve circular.
Uma pastilha dianteira nova tem tipicamente à volta de 12 mm de material; as traseiras costumam vir mais finas de origem, o que engana quem tenta comparar as quatro sem saber disto. E há veículos com especificações próprias — se o manual do seu carro indicar um valor diferente, é esse que manda.
Discos: o MIN TH gravado na peça
Aqui não há debate nem opinião: o fabricante grava o limite no próprio
disco. Procure a inscrição MIN TH — de minimum
thickness — seguida de um valor em milímetros, normalmente na zona do cubo ou no
bordo exterior.
Mede-se com micrómetro, em vários pontos ao longo da face, porque o desgaste não é uniforme. Se qualquer medição ficar abaixo do valor gravado, o disco vai fora. Não há retificação que valha a pena, não há tolerância, não há "ainda dá para uns meses".
A razão é térmica antes de ser mecânica. Um disco mais fino tem menos massa para absorver calor, logo aquece mais depressa; aquecendo mais depressa, fica mais sujeito a perda de eficácia por sobreaquecimento e a fissuração. Estará mais perto do limite exactamente na situação em que mais precisa dele — numa descida longa, ou numa travagem de emergência.
Um disco pode estar acima do MIN TH e mesmo assim ter de ser substituído: por rebordo pronunciado no bordo exterior, sulcos profundos na face, fissuras, empeno ou variação de espessura que provoque pulsação no pedal. Veja a fotografia do disco gasto no artigo sobre travões a chiar — aquele já não recebe pastilhas novas.
Trocar os discos junto com as pastilhas?
É aqui que muita gente desconfia da oficina, e com alguma razão histórica. Vamos ser claros sobre o critério.
Não é obrigatório trocar discos sempre que se trocam pastilhas. Se o disco está acima do mínimo, sem rebordo relevante, sem sulcos profundos, liso e sem empeno, recebe pastilhas novas sem qualquer problema.
É necessário quando se verifica qualquer uma destas condições:
- Espessura abaixo do MIN TH gravado.
- Rebordo saliente no bordo exterior — impede a pastilha nova de assentar em toda a superfície, e é o que causa ruído e desgaste irregular em travões acabados de montar.
- Sulcos profundos que se sintam nitidamente com a unha.
- Fissuras, ainda que superficiais.
- Pulsação no pedal por variação de espessura.
- Chegou-se ao metal contra metal — nesse caso o disco está marcado, sem discussão.
Na prática, um jogo de discos costuma acompanhar duas séries de pastilhas. Mas isso é uma média, não uma regra: em condução urbana intensa pode ser menos, em uso de estrada pode ser mais.
Quer saber quantos milímetros lhe restam?
Medimos pastilhas e discos e dizemos-lhe o valor concreto — o que tem, o que é o limite, e quanto tempo ainda dá. Se não precisar de trocar nada, é isso que lhe dizemos.
Marcar verificação Ver pastilhas e discos para o meu carroComo verificar em casa
Não substitui uma medição a sério, mas dá-lhe uma ideia razoável de se deve ou não marcar já.
- Espreite pelos raios da jante. Em muitas jantes de liga-leve consegue ver a pinça e a pastilha exterior. Use a lanterna do telemóvel.
- Compare com uma referência conhecida. Uma moeda de dois euros tem cerca de 2 mm de espessura. Se o material de atrito parecer mais fino do que a moeda, está em zona vermelha.
- Passe a unha na face do disco. Se sentir um degrau nítido no bordo exterior, há rebordo. Se a unha "cair" dentro de sulcos, estão fundos de mais.
- Procure o MIN TH. Está gravado; com o telemóvel na lanterna costuma dar para ler sem desmontar nada.
- Compare os dois lados do mesmo eixo. Diferença acentuada entre esquerda e direita é sinal de pinça presa, e isso é uma reparação diferente.
A pastilha interior, que costuma ser a que se gasta mais, quase nunca é visível sem desmontar a roda. É por isso que uma verificação caseira serve para decidir se vale a pena vir cá — não para concluir que está tudo bem.
Porque é sempre por eixo
Pastilhas e discos trocam-se aos pares, no mesmo eixo. Sempre. Mesmo que só um lado esteja no limite.
A razão é simples: componentes com estados diferentes travam com força diferente. O carro passa a desviar-se ao travar, o comportamento em travagem de emergência torna-se imprevisível, e o desequilíbrio entre rodas do mesmo eixo aparece imediatamente no ensaio em banco de rolos da inspeção periódica.
Já entre eixos a assimetria é normal e esperada: a frente gasta-se bastante mais depressa, porque a transferência de peso na travagem lhe entrega a maior parte do trabalho. Trocar a frente duas vezes por cada troca da traseira é perfeitamente corrente.
Depois de trocar: o assentamento
Travões novos não estão no seu melhor no primeiro quilómetro. Precisam de um período de assentamento, durante o qual se forma uma camada fina e uniforme de material da pastilha sobre a face do disco — é essa camada que faz o atrito comportar-se como foi projetado.
Durante as primeiras centenas de quilómetros: evite travagens muito bruscas, evite manter o pé no travão parado ao fim de uma travagem forte (deixa marca no disco quente), e não se assuste se a travagem parecer um pouco menos mordente do que esperava. Algum ruído a frio nesta fase também é normal.
Se ao fim desse período o ruído ou a falta de mordente persistirem, aí sim vale a pena voltar à oficina — pode faltar uma chapa anti-ruído, massa nos pontos de deslizamento, ou o composto pode não ser o mais indicado para o uso que dá ao carro.
Se já concluiu que chegou a altura de trocar, pode procurar as pastilhas e discos EBC para a sua marca e modelo.
Alinhamento de Direção
Montagem de Pneus
Equilíbrio de Rodas
Permutação dos Pneus
Reparação de Furos
Enchimento Nitrogénio
Para Carros
Para SUV/4x4
Para Comerciais
Para Elétricos
Para TVDE
Desportiva / Performance
Todo-o-Terreno / Off-road
Reparação de Jantes
Remoção Perno Segurança
Pernos de Segurança
Sensores de Pressão
Kit Roda Suplente
Kit Compressor
Jantes Liga-Leve
Jantes de Ferro
Substituição Travões
Substituição Fluido
Substituição Bateria
Substituição de Lâmpadas
Focagem de Faróis
Diagnóstico Travagem
Diagnóstico Iluminação
Leitura Centralina
Suspensão
Casquilhos Poliuretano
Filtros
Tapetes Borracha
Escovas
Limpeza Exterior/Interior