O que é a aquaplanagem
Em piso molhado, o pneu tem uma tarefa extra que em piso seco não tem: além de aderir ao asfalto, tem de escoar a água que está entre ele e a estrada, e fazê-lo a tempo. Se a água não conseguir escapar depressa o suficiente, forma-se uma fina camada entre o pneu e o piso — e nesse momento o carro deixa de estar em contacto com a estrada. Está, literalmente, a flutuar sobre a água.
É a aquaplanagem, e o efeito é dramático: a direção deixa de responder, a travagem perde eficácia quase por completo, e o carro segue a trajetória que tinha antes de perder aderência — não a que o condutor está a pedir.
Como evitar
Três fatores decidem se um pneu consegue escoar água a tempo, e os três estão nas suas mãos:
- Profundidade do piso. É o fator mais determinante. Um pneu no limite legal de 1,6 mm tem uma fração da capacidade de drenagem de um pneu com piso novo — veja a idade e o desgaste do pneu.
- Velocidade. Quanto mais depressa o carro avança, menos tempo os sulcos têm para evacuar a água antes da zona seguinte do pneu chegar. É por isso que, à chuva, reduzir a velocidade é a medida isolada mais eficaz.
- Pressão. Uma pressão correta mantém a área de contacto e a forma do pneu tal como foi desenhada para drenar. Veja a tabela de pressões.
Se sentir o volante ficar subitamente leve, sem resposta, ou o carro a "flutuar" em piso molhado: não trave a fundo nem vire bruscamente. Tire o pé do acelerador, mantenha o volante direito, e deixe a velocidade baixar até sentir o pneu voltar a agarrar.
Meça o piso antes que a chuva o apanhe de surpresa
Verificamos gratuitamente a profundidade dos quatro pneus e as pressões. Se estiver perto do limite, dizemos-lhe — antes de ser a estrada molhada a dizer-lhe.
Marcar verificação Ver pneus disponíveisComo guardar pneus sazonais
Quem alterna entre dois jogos de pneus — ou simplesmente guarda um jogo antigo — precisa de saber isto: os pneus continuam a envelhecer parados, e podem deformar-se se guardados de forma errada.
- Limpos e completamente secos antes de guardar. Humidade retida favorece bolor e degradação.
- Ao abrigo da luz solar direta e de fontes de calor, como um radiador ou uma parede exposta ao sol da tarde. A luz ultravioleta e o calor aceleram o envelhecimento da borracha — o mesmo processo explicado em a idade do pneu.
- Montados em jantes: podem ser empilhados na horizontal ou pendurados.
- Sem jantes: devem ficar de pé, na vertical. Deitados e empilhados sem a jante, o peso acumulado deforma-os com o tempo.
- Longe de óleos, combustíveis e produtos químicos, que atacam a borracha por contacto.
O carro esteve parado e vibra ao arrancar
É mais comum do que parece, sobretudo depois de férias longas ou com o segundo carro da família. Chama-se deformação por repouso — o peso do carro achata ligeiramente a zona do pneu que ficou semanas em contacto com o mesmo ponto do chão.
Na maioria dos casos não é grave e resolve-se sozinho: ao fim de alguns quilómetros, o calor gerado pelo rolamento aquece a borracha, que recupera a forma original. Se a vibração persistir muito além disso — vinte ou trinta quilómetros — já não é apenas deformação temporária, e vale a pena fazer verificar. Veja vibração no volante para as outras causas possíveis.
Reduz-se o risco enchendo os pneus ligeiramente acima da pressão normal antes de um período longo parado, e evitando estacionar sempre exatamente na mesma posição, se o carro ficar imóvel durante meses.
Tampas das válvulas
Parecem só estéticas, mas não são. A tampa é a segunda barreira de proteção da válvula — a primeira é o próprio mecanismo interno, um pequeno obus com uma mola. Sem a tampa, pó, sujidade e humidade entram com mais facilidade, o que pode causar fugas de ar lentas e corroer o mecanismo ao longo do tempo.
Em pneus com sensor TPMS, a tampa protege ainda os contactos eletrónicos da válvula. Substitua-as sempre que estiverem rachadas ou em falta — são baratas, e a proteção que dão não é.
Misturar marcas ou modelos
Não é recomendado. Pneus de marcas ou modelos diferentes têm padrões de piso e compostos de borracha distintos, o que faz cada pneu aderir de forma ligeiramente diferente — sobretudo em piso molhado, onde essa diferença mais se sente em travagem e em curva.
O ideal é ter os quatro pneus iguais. Se não for possível, garanta pelo menos que os dois pneus do mesmo eixo são idênticos — nunca misture dentro do mesmo eixo.
Baixa resistência ao rolamento
É um termo que aparece muitas vezes na etiqueta energética do pneu, e que poucas vezes se explica. Um pneu de baixa resistência ao rolamento é desenhado, através do composto de borracha e da construção interna, para perder menos energia em atrito enquanto roda.
Essa energia poupada traduz-se em consumo de combustível mais baixo — tipicamente entre 3% e 5% — sem alterar significativamente a segurança do pneu, quando bem escolhido. É um dos critérios avaliados na etiqueta energética europeia, ao lado da travagem em piso molhado e do ruído.
A aderência em piso molhado vem classificada na etiqueta de cada pneu, e o comparador de pneus permite ver essa classificação lado a lado antes de comprar.
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