Fixa ou a piscar: a distinção que resolve tudo
Se guardar uma única ideia deste artigo, guarde esta. O símbolo é o mesmo — aquela ferradura com um ponto de exclamação — mas o comportamento da luz diz coisas opostas:
É por isso que perguntamos sempre ao telefone: "e ao ligar o carro, ela chega a piscar?". Quem já reparou nisso poupa-nos metade do diagnóstico.
Sistema direto e sistema indireto
Nem todos os carros medem a pressão da mesma maneira, e isso muda o que pode acontecer.
O sistema direto tem um sensor físico dentro de cada roda, quase sempre integrado na válvula. Mede a pressão real e transmite-a por rádio ao computador de bordo. É o mais preciso, é o mais comum, e é também o único que tem peças que podem avariar.
O sistema indireto não tem sensores nenhuns. Usa os sensores de velocidade de roda do ABS e deteta que um pneu está vazio porque, com menos pressão, o seu diâmetro diminui ligeiramente e ele passa a rodar mais depressa do que os outros. É mais barato e não tem peças a falhar, mas é menos preciso, não diz qual é o pneu, e tem de ser reinicializado manualmente sempre que se acertam as pressões ou se trocam pneus.
Se o seu carro tem sistema indireto e a luz não apaga depois de encher, é muito provável que só falte fazer o reset — normalmente através de um botão ou de um menu no computador de bordo, com o procedimento indicado no manual.
Luz fixa: o que fazer
Comece pelo simples, porque na maioria das vezes é mesmo o simples.
- Meça os quatro pneus, a frio. "A frio" significa antes de rodar, ou pelo menos com o carro parado há algumas horas e sem ter feito mais de dois ou três quilómetros. Medir com os pneus quentes dá valores mais altos e engana.
- Compare com a etiqueta do pilar da porta, não com o valor gravado na lateral do pneu — esse é a pressão máxima que a estrutura aguenta, não a de utilização. Consulte a tabela de pressões se tiver dúvidas.
- Não se esqueça do suplente. Em vários modelos ele também tem sensor, e um suplente esquecido na mala há três anos é candidato natural a disparar o alerta.
- Ande alguns quilómetros. O sistema precisa de rodar para revalidar as leituras. A luz raramente apaga no momento em que fecha a válvula.
- Se voltar a acender nos dias seguintes, tem uma fuga. Pode ser um furo lento, a válvula, ou a vedação entre o pneu e a jante — veja reparação de furos.
O TPMS não é um substituto do manómetro. O limiar de alerta é bastante abaixo da pressão correta, o que significa que, quando a luz acende, o pneu já está a trabalhar mal há algum tempo — a gastar mais combustível, a desgastar os ombros e a gerar calor a mais. Continue a verificar as pressões uma vez por mês, como se não tivesse TPMS nenhum.
Luz a piscar: as causas de avaria
Aqui já não há nada a encher. As causas, por ordem de frequência:
- Bateria do sensor esgotada. A causa número um em carros com alguns anos. A bateria está selada dentro do sensor e não é substituível — troca-se o sensor completo. Dura tipicamente entre cinco e dez anos.
- Sensor danificado na montagem. São peças frágeis e ficam precisamente onde a máquina de montar pneus trabalha. É uma das razões pelas quais insistimos em equipamento sem alavanca.
- Sensores por programar. Depois de uma troca de jantes ou de sensores, cada um tem de ser identificado e associado à sua posição no veículo. Sem esse passo, o carro não os reconhece.
- Corrosão da válvula. Nos sensores com corpo de alumínio, a corrosão pode partir a válvula — muitas vezes ao encher. Os kits de serviço (obus, anilha, capa) devem ser substituídos a cada montagem de pneu, e são baratos.
- Interferência ou módulo recetor. Menos frequente, mas existe. Requer diagnóstico.
Os quatro sensores foram montados no mesmo dia e têm a mesma idade. Quando o primeiro morre por bateria esgotada, os outros três estão à porta. Se o seu carro tem oito ou nove anos e já falhou um, vale a pena considerar substituir o conjunto de uma vez em vez de vir cá quatro vezes em seis meses.
Diagnosticamos os quatro sensores
Lemos cada sensor individualmente, identificamos qual falhou e porquê, e programamos os novos para o seu veículo. Temos sensores em stock, incluindo os de tecnologia mais recente.
Marcar diagnóstico Ver sensores e válvulas TPMSPorque acende sempre no inverno
Todos os anos, nas primeiras manhãs frias, a luz acende em meio Lisboa. Não é coincidência nem defeito.
A pressão de um gás desce com a temperatura. Na prática, cada dez graus a menos custam cerca de 0,1 bar. Um pneu que estava a 2,2 bar num final de tarde de outubro com 20 °C pode estar a 2,0 bar numa manhã de janeiro a 5 °C — e isso chega para passar abaixo do limiar de alerta.
Importante: isto não é um falso alarme. A pressão está mesmo baixa e o pneu está mesmo a trabalhar pior. A correção é encher, sempre a frio, para o valor da etiqueta. O que não deve fazer é encher a mais para "compensar o frio" — no dia em que aquecer, fica com pressão a mais e o desgaste passa a ser ao centro do piso.
Segundo jogo de jantes e reprogramação
Se está a pensar num segundo jogo de rodas — para inverno, ou simplesmente por estética — há três cenários:
- Substituir as jantes definitivamente: os sensores atuais podem normalmente ser transferidos para as novas, desde que estejam em bom estado e sejam compatíveis com o tipo de válvula da jante.
- Manter dois jogos: precisa de um segundo conjunto de sensores. Alguns carros memorizam dois conjuntos e alternam automaticamente; outros exigem reprogramação a cada troca sazonal — o que convém saber antes de comprar.
- Não montar sensores no segundo jogo: tecnicamente possível, mas fica com a luz de avaria permanentemente acesa. E isso, como vamos ver a seguir, tem consequências.
Se vai mudar de jantes, confirme também furação, offset e furo central — está tudo explicado em PCD, ET e furo central.
TPMS e a inspeção
Este é o argumento que costuma decidir quem andava a adiar: a luz de avaria do TPMS acesa é considerada uma deficiência de tipo 2, o que significa reprovação na inspeção e obrigação de reinspeção.
Não é uma observação menor que se arraste até à próxima revisão. É chumbo, com nova deslocação ao centro e nova taxa. E vale a pena lembrar que os sistemas TPMS são obrigatórios nos veículos ligeiros novos matriculados na União Europeia desde 1 de novembro de 2014 — ou seja, praticamente todos os carros com menos de doze anos têm de o ter a funcionar.
Se está a preparar a inspeção, veja também a checklist do que chumba: a luz do TPMS acompanha frequentemente outras luzes acesas que o condutor se habituou a ignorar.

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